AS DUAS PM QUE ATUAM EM SÃO PAULO

Nos últimos 18 anos de defesa de PMS, aprendi que a PM que atua na periferia e na Grande SP não é a mesma que vemos nos bairros “nobres” e que os desvios são bastante tolerados se forem praticados por gente “autorizada”, ainda que de forma velada.

O Regulamento Disciplinar é um modelo de padrão ético que parece só existir para cobrar comportamento de Praças, não de Oficiais que tudo podem.

 

Vários comandantes compactuam com o desvio e incentivam crimes.

 

Ah, sei… preciso apresentar provas? ok, primeiro quero que a PM explique a morte do coronel lá no 18º e depois a morte da Cabo Andréia Pesseghini.

 

Também quero acesso à investigação da morte em Cotia, do soldado Nascimento do 42º, um mês depois de ser ouvido no inquérito policial em que acusou seu comandante em Osasco, de ser chefe de quadrilha que rouba cargas e de grupos de extermínio.

Especializadas contam com apoio da instituição que encobre em última instância os desvios mais tenebrosos como crime de mando, execuções de denunciantes e silêncio imposto aos sobreviventes.

Eu não estou falando de pessoas pobres da periferia, mas da pseudo-politização deletéria que estraga a corporação há pelo menos duas décadas e que premia como prática corrente os bajuladores, outorga medalhas a assassinos contumazes que contam dezenas de registros em seus assentamentos como RSM.

Isso não é invenção do Adilson Paes de Souza, que não descobriu a roda! É contra essa PM que dirijo minha crítica: a que ignora e pisa direitos básicos, que combate a ampla defesa com empenho de quem se vê ameaçado em sua torre de controle.

Essa PM que se envolve em roubo de cargas, estouro de caixas eletrônicos, máfias de caça-níqueis, venda de escalas, de multas em troca de vantagens criminosas, extorsão de transgressores, tráfico de drogas e armas, agressões covardes contra pessoas indefesas e ignorantes de seus direitos e sobretudo, a que incentiva e acoberta os grupos de extermínio.

ESSA, A QUE PRECISA SER EXTINTA! Contra essa PM também se dirige o reclamo que “anda nas cabeças, anda nas bocas” de milhares de pessoas que vivem nesse Estado, pessoas que protestam contra a violência policial concreta, especialmente nos lugares mais pobres e carentes de quaisquer recursos, desde iluminação até transporte público.

A mudança que o Plano Estadual de Direitos Humanos pretendeu em 1997, infelizmente, ficou circunscrita àquela frase do rodapé dos documentos oficiais e que é vista ainda hoje como piada.

Fui assistir todas as exposições junto com o chefe da corregedoria, entre outros. Mentira que a PM é estruturada em conceitos de “segurança comunitária”, exceto se essa for uma parte da elite.

Porque a outra conta com segurança especial e institucional ou então “privilegiada”, caso de empresas que pagam policiais em horário de serviço para cuidarem do seu patrimônio.

O que tem mais “eficácia” no combate ao crime é o porrete que se leva junto com a equipe, onde está escrito “DIREITOS HUMANOS” e que serve de mote aos pervertidos quando cinicamente perguntam às suas vítimas o que elas querem e esse porrete bate nas carnes, nos ossos, até que escorra sangue.

Bem lembrado pelo autor dessa corajosa obra que tentam desqualificar, sobre a violência da PM, que na hora de “puxar corda” ninguém será solidário com o policial e será ele quem vai “bater com as costas”!

É bom que o bilão comece a usar a massa encefálica e perceba que a “geni” é ele, e como tal, receberá o previsto.

A parte mais frágil da sociedade, enfim, está farta das mentiras, dos APFD forjados, dos autos de resistência seguida de morte, de saber que a propina do desmatamento encobre especulação imobiliária, que os kit-vela que são intrujados porque morto-não-fala, cansada dos falsos testemunhos, do assédio processual contra quem incomoda e como forma de silenciar pelo medo e pressão, dos carros pretos de noite nas favelas e biqueiras, das toucas-ninja que esconde as caras, da repartição do arrêgo de puteiro, maquininhas, pátio de apreensão de veículos, postos de gasolina desviada dos quartéis, bingos, segurança de comércio em geral, empresas colaboradoras, transporte de cargas excedentes, indústria de multas, de inquéritos, baculejo, banho-de-exú e grupos de extermínio.

Está farta também de tudo isso, a parcela que pensa e a minúscula que denuncia, sabe-se lá a que preço! Sabem essas que há mais de três décadas, Interlagos e seu entorno era um dos locais onde mais se usavam pneus para descarte e isso nada tem a ver com o autódromo.

Era um tempo em que sobretudos escuros escondiam muito mais que um corpo do frio.

A hipocrisia e o cinismo, além da mentira como “método” e ”prática diária” desnudam o verdadeiro sentir e agir da grande “base” dessa pirâmide que todos os dias põe em risco nossa segurança e vida; quando não alcança, desgraçadamente, o objetivo.

A associação com facções criminosas e serviços prestados a estas revelou-se muito mais lucrativa do que o combate aos transgressores, o que não deixa de refletir uma parte da sociedade.

SÓ UMA PARTE, fique bem destacado.

Em breve, com a mudança política que se avizinha, espera-se que esses que hoje fraudam a verdade e covardemente espalham mentiras que se escrevem e se apagam com facilidade, paguem por seus crimes.

A forja de laudos para “enlouquecer e desenlouquecer” policiais conforme a conveniência ou contra quem denuncia, se espera seja extinta.

Acusações indébitas e sem alicerce aceitas por comandantes maliciosos que compactuam com o erro, a mentira, o desvio, em benefício próprio e da salvaguarda do crime, devem passar pelo crivo judicial, com responsabilização administrativa, civil e penal do fraudador.

Se alcançarmos isenção em processo e julgamento dos que erram, não terão mais lugar os vergonhosos conchavos, os ofícios e outras manobras que visam “arredondar” ocorrências graves e serão esclarecidas, por exemplo, chacinas orquestradas dentro da PM, por PMs contra PMs. BASTA TIRAR DA BOCA DA MACIÇA MAIORIA DOS POLICIAIS ESSA MORDAÇA QUE É O MILITARISMO e a Sociedade vai se surpreender com o que virá…

 (TEXTO ESCRITO E PUBLICADO NO PERFIL DE SANDRA PAULINO NO FACEBOOK EM 10 DE ABRIL DE 2014)
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